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Aquarela - Toquinho

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Aquarela - Toquinho Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva, E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel, Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu Vai voando, contornando a imensa curva norte e sul, Vou com ela, viajando, Havaí, Pequim ou Istambul Pinto um barco a vela branco, navegando, É tanto céu e mar num beijo azul Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená Tudo em volta colorindo, com suas luzes á piscar Basta imaginar que ele está partindo, sereno, lindo, E se a gente quiser, ele vai pousar Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida De uma américa a outra consigo passar num segundo, Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo Um menino caminha e caminhando chega no muro E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar, Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar Vamos todos numa linda passarela De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá (que descolorirá) (que descolorirá) (que descolorirá) História: Em 1983, o cantor e compositor Toquinho já era dono de uma respeitável carreira no cenário da música brasileira. Naquele ano, no entanto, o artista lançou uma música que se tornou uma espécie de “hino não oficial da infância”. Sim, amigo leitor estamos falando do clássico “Aquarela”. Confira mais playlist com clássicos da música infantil Por mais que não seja fruto das colaborações que Toquinho desenvolveu com seus camaradas Chico Buarque, Tom Jobim ou Vinicius de Moraes, “Aquarela” é uma canção que dividiu águas na carreira do compositor. Trata-se de uma música que virou tema de publicidade, tarefa escolar, conquistou um lugar cativo nos karaokês, e certamente faz parte do repertório da galera que toca nos bares e bailes da vida. Neste post, nós desvendaremos o significado da letra e conheceremos um pouco mais sobre uma das obras mais fantásticas do cancioneiro da música nacional. Um breve contexto biográfico: Voltemos até o ano de 1982. Naqueles tempos, após várias apresentações na Itália, Toquinho já era um nome de destaque naquele país. O empresário Franco Fontana tinha acabado de criar a gravadora “Maracana” e resolveu gravar um disco com músicas inéditas de Toquinho. Para isso escolheu o músico italiano Maurizio Fabrizio, que havia vencido o festival de San Remo e que, na visão de Franco, tinha um perfil semelhante ao do violonista brasileiro. Maurizio Fabrizio, compositor italiano: “Aquarela” não teria surgido sem a colaboração do italiano Maurizio Fabrizio (Foto/Divulgação) O encontro dos dois resultou numa generosa parceria, que rendeu material para quatro discos entre o período de 1983 e 1994. Essas canções receberam originalmente letras em italiano, assinadas, na maioria das vezes, por Guido Morra. Posteriormente, algumas foram traduzidas para o castelhano. Parte delas recebeu versões de Toquinho, que as gravou também em português. Um dos frutos da parceria ítalo-brasileira foi “Aquarela”. Lançada em português, no ano de 1983, a faixa já nasceu com perfil de canção atemporal. O embrião de “Aquarela” Em texto publicado no seu site oficial, Toquinho conta que “Aquarela” surgiu da fusão de duas canções. Segundo ele, num dia de trabalho, Maurizio Fabrizio começou a mostrar uma música. A primeira parte, revela, não impressionou muito, “mas quando ele entrou na segunda parte, eu gostei, lembrava a primeira parte de ‘Uma Rosa em Minha Mão’, que fiz com Vinicius, em 1974, para a novela ‘Fogo Sobre Terra’, da Globo. Cantada em português, a música batizou disco lançado em 1983 Motivado pela recordação, o compositor brasileiro tocou a música “Uma Rosa em Minha Mão” para apreciação do italiano, que, logo em seguida, começou com a segunda parte da música dele. “Uma se encaixou na outra, naturalmente, na primeira tentativa, era a primeira música que ele me mostrava”, revela. “Assim, gastamos nem três minutos para fazer a música que seria conhecida como ‘Acquarello’, em italiano, que é a nossa ‘Aquarela’. Achei bonita, me animei, e nos outros dias fizemos umas oito melodias”, finaliza Toquinho. As cores dessa tal “Aquarela” Agora que você reviveu a experiência de embarcar no voo mágico da canção, chegou a hora de partir para a próxima etapa da viagem. Antes de mergulharmos na interpretação, no entanto, precisamos entender algumas considerações preliminares sobre “Aquarela”: A letra e a melodia da música nos transportam para os belos e ensolarados dias que são vistos nas histórias infantis de Charles Dickens, Irmãos Grimm, Lewis Carroll, entre outros. Educadores do Brasil inteiro promovem atividades psicopedagógicas a partir desta canção. Usando lápis, giz colorido ou tintas, a criançada se diverte e deixa a criatividade bater asas e voar, para bem longe, voar… Primeira parte – Ah, a velha infância Numa folha qualquer, eu desenho um sol amarelo E com cinco ou seis retas, é fácil fazer um castelo Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva E se faço chover com dois riscos, tenho um guarda-chuva Logo de cara, somos arrebatados pela leveza e pela falta de urgência que tomam conta da infância. Veja que para desenhar, o poeta deixa claro que não precisa ser uma folha especial, papel timbrado ou algo do tipo. Pode ser papelão ou até mesmo o piso do chão. Incluindo as paredes [#QuemNunca], qualquer lugar é uma perfeita tela para fazer desenhos. Nessa quadra de versos, Toquinho não dita normas, mas dá liberdade de expressão às crianças. Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu Ao analisarmos os dois versos acima de forma isolada, observamos traços de uma mensagem positivista. Sendo assim, entendemos que se repente alguma coisa de errado acontecer, não tem problema. É fácil transformar as amarras do pequeno descuido em algo libertador [o lindo pássaro a voar no céu]. Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul Pinto um barco a vela, branco navegando É tanto céu e mar num beijo azul Neste mundo de ficção, não há limite de tempo ou de espaço. Em vez de dividir a Terra em dois hemisférios, a Linha do Equador é como um tobogã que nos leva para os quatro cantos do mundo em fração de segundo. Comandando uma solitária tripulação de um barco branco, nós temos a capacidade de navegar entre o céu e o mar. Tudo é mágico, como um beijo azul – que representa o encontro entre as superfícies celestial e a marítima. Entre as nuvens Vem surgindo um lindo avião rosa e grená Tudo em volta, colorindo Com suas luzes a piscar Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo Se a gente quiser, ele vai pousar E o poeta segue brincando e nos fazendo imaginar quão gostoso é se jogar nesse fantástico “mundo de faz de conta” que é o universo infantil. O sonho de voar povoa a mente de toda criança. Todo mundo, ao menos uma vez, já sonhou estar voando, sendo pássaro ou mesmo como passageiro de uma aeronave a cortar as nuvens, que nos parecem flocos de algodão, com todas suas luzes a piscar. Spoiler: na próxima parte, ainda que de forma sutil, o autor ensina que as “nuvens não são feitas de algodão”. Segunda parte – Olá, vida adulta Numa folha qualquer, eu desenho um navio de partida Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida De uma América a outra, eu consigo passar num segundo Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo Nos versos acima, observamos que o aspecto lúdico é ligeiramente adormecido. O poeta procura ensinar que a vida é feita de partidas e chegadas, de idas e vindas. Desta forma, a letra sai um pouquinho do mundo da imaginação e entra na fase da vida em que, teoricamente, todos nós precisamos começar a lidar com pautas mais sérias. Um banquinho, um violão, um Toquinho e um hit atemporal. As interpretações mais maldosas podem crer que o verso “Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida” transporta a letra diretamente para a vida adulta. Porém, com a licença poética a seu favor, o autor jamais pode ser acusado de fazer apologia ao uso de bebidas alcoólicas, pois, afinal de contas, quem garante que os amigos de bem com a vida não estão bebendo um saboroso suco natural? Dito isso, fica a lição de que sempre é hora de ser feliz e de celebrar a vida. Um menino caminha e caminhando chega no muro E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está Na figura da caminhada do menino, Toquinho mostra que o futuro está logo ali. Porém, o compositor mostra que a passagem do tempo pode acontecer longe de regras ou metodologias cansativas. A caminhada deve acontecer de forma colorida e engraçada, cheia de alegria. A letra também nos mostra que na vida há obstáculos , os “muros”, que são ultrapassados com o uso da criatividade. E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar Não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar Sem pedir licença, muda a nossa vida depois convida a rir ou chorar Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar Vamos todos, numa linda passarela De uma aquarela que um dia enfim Descolorirá É comum os pais se darem ao direito de pilotar os filhos rumo ao futuro. Mais comum ainda é a linha tênue que separa os pais da frustração (que motiva o choro) e a dualidade do regozijo (que motivo o choro e o riso). O que não pode ser esquecido, no entanto, é o fato de que cada ser humano é uma individualidade, com personalidade própria, e que precisa aprender a lidar sozinho com os erros e acertos da longa estrada da vida. Terceira parte – Tudo tem seu ponto final Numa folha qualquer, eu desenho um sol amarelo Que descolorirá E com cinco ou seis retas, e fácil fazer um castelo Que descolorirá Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo Que descolorirá Na terceira e última parte, a letra da música assume um caráter mais “pés no chão”. Sem perder a ternura da poesia, esses poucos versos são suficientes para nos ensinar que tudo “descolorirá”, isto é, tudo chega ao fim. Trata-se de um leve choque de realidade! Com toda sutileza que lhe é cara, Toquinho deixa claro que a vida é desprevenida, exata e que um dia acaba. O importante, no entanto, é não perder a leveza…

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